segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cinco minutos

Ela voltou e estava alterada. Muito alterada.
-Você ainda não começou?
-Calma! Eu vou começar, mas preciso de tempo.
-Tempo? Como assim, tempo? Você já tem tudo. Está fácil.
-Isso é o que você pensa.
-Não se trata do que penso. Trata-se do que preciso.
-Quanta impaciência. Sossegue!
-Não posso sossegar. Você tem que começar. E rápido, pois preciso sair.
-Você não está boa para sair.
-Claro que estou. Vamos. Não posso mais ficar presa aqui.
-Pois arrisco dizer que quando terminar voce estará mais presa que nunca.

A pressa deu lugar à irritação.

-Você não entende. Eu fiquei esperando esses dias todos e você nem sequer começou.
-Acalme-se! Não aguento mais você andando de um lado para o outro. Me deixa tonta e angustiada.
-Faça que vou embora. Resolvemos o seu problema e o meu.
-Teimosa. Isso não vai te libertar.
-Bah! Chega de enrolação. Escreva!
Ela sentou e, em cinco minutos, cravou o texto.

Passado o torpor, releu e concluiu: Algumas ideias são tão malucas que enxergam liberdade nas grades da pauta.

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