Dirigiu-se para o quarto.
Antes de se deitar, parou diante do espelho salpicado de manchas pelo tempo.
Um segundo foi o suficiente para decidir a busca pela verdade definitiva.
Iria se escalpelar.
Um golpe certeiro e estava diante de algo nunca antes refletido no espelho.
Percebera algo viscoso e esverdeado escorrendo pelas bordas do que parecia um vulcão. O sangue estancara com o elemento que, não se lembrava de onde, sentia conhecer.
Ferir-se não era nada, diante do que buscava.
Com a ponta dos dedos retirou a velhice que precisava de cuidados.
Em seguida, pinçou a doença que em uma das mãos segurava o tarja preta e na outra uma garrafa de conhaque.
Depois a loucura que trazia a mentira em uma camisa de força.
Por fim, resgatou a paixão que, infelizmente, estava morta.
Tateou, tateou, constatando que não existia mais nada naquele oco do mundo.
Fechou-se.
Vagou pela casa. Na penumbra observou, pela janela, a cidade e suas luzes.
Não vislumbrando outra possibilidade, deixou-se crer que a esperança é verde. Que ela, no fundo no fundo, não está debaixo dos males do mundo. Ela os envolve e, assim, amortece as dores de cabeça encaixotadas por Pandora.
El gallo giro
Há 6 anos