domingo, 27 de julho de 2008

Fragmento de Ensaio " Da Amizade" por Montaigne



Constato, mais uma vez, e não de forma menos sentida, que das incompreensões, advém a necessidade de conhecimento.
Recorrência à cerca do tema “Amizade” . Tenho nos últimos tempos, buscado entre meus “amigos” definições, que se transformam em enlaces... enlaces que encadeiam uma lógica e, quando estruturada, possibilita um acréscimo para a compreensão...
Busco me distanciar da incompreensão de que: sendo amizade, porque deixou de existir? Então o que é amizade, além de forma estreita e concepção mínima de que posso ter?
Cética de que é impossível encontrar resposta.... busco nos pensamentos “encadeados” minimizar a incompreensão.
Depois de Cícero, procuro Montaigne, mais uma vez, com minhas incompreensões. Ele, sempre, sempre está lá... com seu manto verde, detalhes dourados. (Encontrá-lo de forma recorrente, em minha cabeceira, é prova de amizade.... Mas, amizade de quem? Dele ou minha?)

Essa amizade...

Em seu ensaio “Da Amizade”, nos coloca sua contemplação do trabalho de um pintor que tinha em casa. Da vontade que sentiu de ver como o artista procedia. Observou que ele escolhera o melhor lugar no centro de cada parede para pintar um tema com toda a habilidade que possuía. Em volta, no vazio restante da parede, preencheu com arabescos, pinturas fantasistas que só agradam pela variedade e originalidade.
É assim que Montaigne me convida em alta madrugada, para “falar” sobre a Amizade.

Elucida que, tal qual o pintor, seus Ensaios livro também é composto de unicamente de assuntos estranhos, fora do que se vê comumente, formado de pedaços juntados sem caráter definido, sem ordem e que só se adaptam por acaso uns aos outros. (O exílio lhe permitiu exprimir suas “estranhezas”, como as define aqui).

Toma de empréstimo a Etienne de la Boétie, o ensaio que escrevera na adolescência a fim de exercitar em favor da liberdade e contra a tirania....(posso estar enganada, mas aqui, minha percepção é de que Montaigne começa sua “pintura central”... os arabescos virão.. ah! Sim.. eles virão!)...
Montaigne enaltece a faculdade de la Boétie de expressar coisas notáveis, bem próximas daquelas que se orgulharia a antiguidade.
Logo demonstra sua fidelidade e afetuosidade a alguém que ”ao render seu último suspiro”, lhe entregou sua biblioteca e seus papéis e encerra com “essa amizade que nos uniu e durou quanto Deus o permitiu, tão inteira e completa que por certo não se encontrará igual entre os homens de nosso tempo. Tantas circunstâncias se fazem necessárias para que esse sentimento se edifique, que já é muito vê-lo uma vez cada três séculos.”
Bjo