quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Do amor e da amizade

Resvalo no vão entre a cama e criado. O incenso intensifica no ar a suspensão de mim. Sinto-me parada no ar.
Resgato-me do vão, busco tua mão, teu manto verde... sempre estás comigo.
Noite fria! Penso no que Pozzo postou. Algo entre a amizade ser face do amor. E em minha inflexão: Todo amor será face de uma amizade?!?
E sou toda sentimento.. de lembrança.



Parto da lembrança do pátio de colégio noturno, amigos, conhecidos e outros nem isso. Tempos de livros emprestados, violões tocados em plena segunda ou quarta-feira à noite; intervalos nos quais não cabiam tanto ser, ter, saber e mostrar interrompidos pelo sinal para voltar à sala; discussões políticas; distensões políticas; dissidências e todo um lutar pelos direitos que ainda nem sabíamos usar.
E entre tanto e tantos....estávamos nós.
Eu não tinha você.... eu amava você. Eu não pensava em moldar você; eu te absorvia, deixava-me transformar e trazia-me às próprias mãos p/ teu olhar. Você me compreendia. Eu sorria e devolvia. Eu te abraçava e você se entregava. Eu nem pensava e você também não, que era amor.. amor de amizade... amizade de amor... tudo junto, misturado, dosado, fragmentado e inteiro.. tudo ao mesmo tempo e num só momento. Aquele momento.

Hoje, não sei de você.
Não sei se era amizade de amor.. amor de amizade... saudade de não sei o quê... espelho do que eu não enxergava em mim e podia amar... se era teu espelho e deixaste cair e quebrar.... eu me despedi e você me deixou sair.

Adormeço no vão entre a cama e o coração.


Bjo

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